Brasil sai do regime militar em 1985 com hiperinflação, dívida externa explodindo e pacotes econômicos que falham um atrás do outro: Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989). Cada congelamento traz alívio momentâneo seguido de mais perda de poder de compra. O Volcker Shock americano e a moratória mexicana fecham o crédito externo. A pobreza extrema sobe e a desigualdade se cristaliza.
Plano Collor confisca poupanças em 1990 e mergulha o país em recessão. Impeachment em 1992 mostra que a democracia jovem aguenta. Em julho de 1994 o Plano Real trava a hiperinflação sem confisco — e a base da pirâmide ganha 30% de poder de compra real só pelo fim do imposto inflacionário. Constituição de 1988 já tinha universalizado o SUS e a previdência rural.
Crise asiática (1997) e moratória russa (1998) forçam a desvalorização cambial em 1999. Surge o tripé macroeconômico: câmbio flutuante + metas de inflação + superávit primário. Selic ultrapassa 40%. Eleição Lula em 2002 gera fuga de capitais — risco-país acima de 2400 pontos. Mas a estabilidade institucional segura.
Boom de commodities puxado pela China sustenta crescimento por uma década. Bolsa Família (2003) reduz pobreza extrema em mais de 50% até 2014. Pré-sal é descoberto em 2007. Brasil reage à crise subprime de 2008 com bancos públicos e PAC — e sai por cima. Gini melhora pela primeira vez em décadas.
Eurozone shake (2010-2012) e taper tantrum (2013) começam a mexer com o real. Manifestações de junho/2013 abalam a popularidade política. Fim do superciclo de commodities (2014) tira o chão. Operação Lava Jato + crise hídrica + apagão de Brumadinho. PIB cai 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. Desemprego salta de 6,5% para 12%. Impeachment Dilma. EC 95 (teto de gastos) tenta âncora fiscal por 20 anos.
Reforma trabalhista (2017) e da previdência (2019) mexem em pilares estruturais. Pandemia (2020-2022) mata 700 mil e gasta 4% do PIB em auxílio emergencial — depois vem a inflação global. Guerra Ucrânia (2022) joga commodities pra cima e o Fed sobe juros como nunca. Ciclo Selic 2 → 13,75% reancora expectativas. Novo arcabouço fiscal (2023) e Reforma Tributária do consumo (2023) substituem o teto. Enchentes do RS (2024) custam mais de R$ 90 bi.
